Principais tipos de lajes: conheça as mais indicadas para grandes vãos

O tipo de laje a ser utilizado numa obra pode fazer toda a diferença no conceito arquitetônico, seja para o lado positivo ou para o lado negativo da edificação. Você, arquiteto, sabe muito bem disso!

Por sua vez, cada edificação necessita de um modelo diferente, e isso se dá porque cada opção atende às necessidades específicas daquele projeto, logo, é essencial saber qual a melhor para atender as demandas do seu cliente e ainda manter a estética desejada para a obra, com segurança.

Neste post vamos indicar formas de lajes e quando a incorporação de cada tipo se adequa a diferentes edificações. Vem conosco?

Antes de tudo, o que são lajes?

Poderíamos partir do pressuposto que a maioria dos leitores deste blog tem conhecimento especializado em projetos arquitetônicos e todas as partes deste, porém apenas para que seja um texto didático, optamos por destacar o que é este elemento tão importante da construção civil.

As lajes são estruturas horizontais e planas que são projetadas para sustentar um determinado peso, podendo ser telhados ou cobertura para continuação da edificação.

Como estamos falando de lajes para grandes vãos, nada melhor do que já iniciar a tratativa com uma visão deste formato de laje: o MASP (Museu de Arte de São Paulo). Não é incrível observar uma imagem desta edificação ou então visualizar sua magnitude de perto? Um projeto muito bem arquitetado foi ali desenvolvido com maestria.

Escolhendo a laje: pontos importantes para diferentes soluções

Para escolher a melhor solução para a sua obra é importante que você leve em conta uma série de fatores, tais como:

  • o método de execução;
  • o custo;
  • a carga que esta laje precisa suportar;
  • o tamanho dos vãos;
  • o orçamento do projeto, etc.

Por conta disso, é essencial que você estude a fundo as necessidades do seu cliente, bem como as opções disponíveis no mercado. Mais do que isso, é necessário ficar sempre antenado com as últimas tendências do setor para se manter atualizado, principalmente quando se trate de obras com grandes vãos.

Mas como fazer isso hoje em dia, já que você, arquiteto, precisa estar desenvolvendo o projeto do seu cliente, estudando todas estas variáveis técnicas envolvidas no processo, coordenando e gerindo o escritório, cuidando do marketing e prospectando novos clientes, e tudo isso praticamente ao mesmo tempo?

Aqui vai uma dica da On.We: tenha parceiros que te auxiliem em todas estas funções, e falando especificamente das lajes, nada melhor do que contar com um profissional responsável por seus projetos estruturais, pois ele com certeza vai te auxiliar nesta escolha desde o anteprojeto, fazendo também que você evite retrabalhos futuros.

Tenha acesso a um modelo de projeto estrutural com a metodologia Building Information Modeling (BIM).

Não tenho um projetista, e agora?

Se você não tem um projetista estrutural de confiança, pois ainda não trabalha desta forma, ou então está com problemas de comunicação com ele – nem sempre ele atende seus telefonemas ou responde as suas mensagens –, ou até mesmo porque sua conversa com este profissional é “dura” e você sempre que tenta um diálogo recebe mais “não dá pra fazer” do que realmente precisa, entre em contato com o time On.We, que teremos prazer em te dar esta assessoria técnica e quem sabe virarmos seu parceiros no futuro.

De todo maneira, separamos dicas resumidas sobre os tipos de lajes mais utilizados, e especial as de grandes vãos.

Dificuldade das obras com grandes vãos

Ao observar a concepção de um sistema estrutural – principalmente soluções de grandes vãos – é necessário que se observe seis pontos específicos:

  1. instalação segura;
  2. materiais apropriados
  3. peso da laje;
  4. vida útil da idealização;
  5. comportamento aerodinâmico do local;
  6. conforto humano na estrutura;

Todos estas pontuações devem ser observadas em conjunto principalmente quando se tem como foco solucionar grandes vãos como pontes, saguões de edifícios, salões de festa, lajes das piscinas internas ou externas, coberturas de estádios ou quadras, etc., haja vista que sua projeção e execução é bem mais complexa e específica do que de uma simples residência térrea de pequeno porte, por exemplo.

Quando cita-se o material adequado também há o direcionamento acerca do peso da laje e altura das vigas da estrutura: quanto maior for o vão, mais leve deve ser a laje que integra sua estrutura, bem como também o preenchimento, visando sempre a melhor experiência ao cliente – minimização de calor, cuidado com a hidratação do concreto e outros pontos importantes.

Grandes vãos não são arquitetados por vaidade, mas sim por necessidade de solução estrutural focados na execução do projeto de forma estética e segura.

Entenda os tipos de lajes e quando indicá-las

Atualmente, existem alguns tipos de lajes mais comuns que são usadas na grande maioria das obras. Cada uma delas possui características específicas que as tornam ideais para determinadas obras. Confira abaixo quais são as principais e quando indicá-las para um projeto arquitetônico.

Serão citadas tanto lajes para grandes vãos como também as que a estes não são indicadas para esse tipo de obra, apenas para que fique ainda mais fácil de diferenciá-las.

1. Laje Pré-Moldada

Laje Pré-Moldada

Esse é o tipo de laje mais popular e com o melhor custo-benefício para uma obra. Isso porque, ela já vem pré-construída para a edificação, e é necessário apenas encaixá-la e finalizá-la.

Por conta disso, ela é muito indicada para projetos arquitetônicos residenciais de pequeno e médio porte. Também é queridinha em obras que tenham como apelo a questão da sustentabilidade, pois utilizam menos material na sua execução e acabam gerando menos resíduos no canteiro.

Cada peça desse tipo de laje utiliza pequenas vigas – conhecidas como vigotes. Isso servirá de suporte para o material do enchimento que virá em seguida e que é o que irá tornar a laje mais resistente. Nesse caso, a matéria-prima (enchimento) fará toda a diferença.

Este tipo de laje se divide em duas alternativas:

1.1. Lajes Treliçadas de Lajotas de Cerâmica

Lajes Treliçadas de Lajotas de Cerâmica

Nesse caso a armação de pequenas vigas recebe uma cobertura superior no formato de treliça. Elas são colocadas uma ao lado da outra e, em seguida, preenchidas com lajotas feitas de cerâmica.

A grande vantagem dessa alternativa é o seu custo, que acaba caindo muito. Contudo, por conta do tipo de revestimento, ela fica um pouco mais “pesada” que o EPS (isopor) que é seu concorrente, e devido a isso, dependendo do tipo de obra acaba tendo uma carga maior na estrutura e fundação.

Esse tipo de laje é mais indicado para projetos arquitetônicos residenciais, bem como obras de pequeno porte. Projetos com grandes vãos podem não ser muito viáveis com esse tipo de laje, haja vista seu peso e dificuldade na execução.

1.2. Lajes Treliçadas com EPS (isopor)

A grande diferença desse tipo de laje para a anterior é que o material usado para preenchimento é bem mais leve. Além disso, por conta da matéria-prima, a instalação de tubos e conduítes fica bem mais fácil, isso sem contar na montagem que é bem mais rápida do que as tradicionais (cerâmicas).

Outra vantagem desse material é a questão do isolamento. O isopor é uma excelente forma de proporcionar isolamento acústico e térmico, o que torna essa uma solução sustentável para obras. Na arquitetura contemporânea que usa muito os telhados embutidos e escondidos, uma laje de cobertura com enchimento em EPS gera um conforto térmico melhor do que a de cerâmica.

Ela é mais indicada para a construção de residências, bem como prédios de porte menor. Isso porque, além do custo-benefício, ela oferece mais conforto do que as lajes tradicionais.

2. Laje Maciça

Laje Maciça

Esse tipo de laje é mais indicado para projetos de estruturas que precisam de um “travamento mais eficaz”. Oferecendo mais segurança, elas são ideais para construções que precisem de balanço, como, por exemplo, marquises.

Essas coberturas são ideais para situações em que as lajes pré-moldadas não são tão efetivas. Sua colocação também exige uma mão de obra mais especializada e um método de execução mais complexo. No entanto, o resultado é melhor em relação à segurança e resistência.

Sua vantagem em relação às lajes pré-moldadas é que, como ela melhora o “travamento”, em alguns casos conseguimos aumentar os vãos, ou trabalhar com um número menor de vigas que a pré-moldada trabalha.

Sua grande desvantagem é a utilização de muito mais materiais para a elaboração da forma, já que precisa ser feito um “assoalho” para receber as armaduras, e maior número de escoras, o que no quesito sustentabilidade fica a desejar. Mas lembre-se: algumas vezes é impossível medir a economicidade de uma obra grande com uma pequena construção.

3. Lajes Nervuradas

Lajes Nervuradas

Neste tipo de laje há a presença de nervuras, onde ficam concentradas as armações, entre as quais podem ser colocados materiais inertes com função de enchimento. Algo que simplifica a forma e deixa a superfície inferior lisa para receber o acabamento.

Essa é uma laje encontrada geralmente em grandes vãos, onde é necessário trabalhar com espessuras elevadas a fim de atender as flechas e solicitações. A necessidade de espessuras elevadas muitas vezes inviabiliza o emprego de lajes maciças em razão do consumo de concreto e do peso próprio elevado, e neste caso, utilizar a laje nervurada é uma alternativa, pois parte do concreto é retirado ou substituído por um material mais leve, colocado entre as nervuras.

Para obras residenciais de pequeno porte este tipo de laje irá elevar o custo já que necessita de mão de obra mais especializada não requisitada, porém disponível.

4. Lajes Alveolares

Lajes Alveolares

Esse tipo de laje é mais indicado para projetos arquitetônicos de grande porte. Isso porque elas são geralmente pré-moldadas e protendidas, e sua vantagem no quesito custo-benefício acontece quando se trabalha grandes vãos, diminuindo assim o uso de estrutura convencional.

Basicamente, eles são uma espécie de cobertura que é feita com cabos de aço que são tracionados e ancorados diretamente no próprio concreto. Contudo, como já citado acima, é preciso ter em mente que esse tipo de laje é indicado para construções de grande porte e exige métodos de execução mais complexos.

É importante dizer que pela complexidade e especificidade da instalação deste tipo de laje, o projeto arquitetônico que a indicar será encarecido. Porém, o preço valerá a pena haja vista o conforto e resistência que essa cobertura oferece são bem mais vantajosos para projetos arquitetônicos de edifícios maiores, logo, é esperado um gasto elevado e também maior segurança estrutural.

Resumo: quais, então, são as lajes ideais para grandes vãos?

Tendo todo este material disposta acima, e a fim de sempre fornecer um conteúdo para aprendizagem efetiva, as soluções mais indicadas para grandes vãos são:

  • lajes maciças;
  • lajes nervuradas;
  • lajes alveolares.

Na hora de estudar qual o tipo de laje mais indicado para o seu projeto arquitetônico, leve sempre em conta as necessidades do seu cliente, bem como o orçamento disponível. O ideal é que você estude também as condições externas da obra, como por exemplo, o ambiente do edifício e as condições climáticas do local. Além das características do seu projeto, que queremos manter fiéis durante o projeto estrutural e durante a obra.

No sentido de projetos arquitetônicos antigos que necessitam de atualização a fim de fornecer-lhe mais segurança e conforto focando na aplicação de novas soluções, tecnologias e materiais (como é o exemplo do projeto arquitetônico que revitaliza mas também mantém as características da construção), indicamos para ler depois: Saiba o que tem acontecido de retrofit pelo mundo.

E aí, o que acho deste artigo? Tem alguma sugestão de tipo de lajes mais utilizadas que deveriam ser mencionadas? Não deixe de comentar! A On.We poderá atualizar este artigo a qualquer momento, e será um prazer modificá-lo com suas sugestões de acordo com o desenvolvimento da arquitetura.

Imagem de capa: Edifício H1, projeto arquitetônico de Pablo José Vailatti (PJV Arquitetura), projeto estrutural de Eng. Anamélia Adriano (Cofounder da On.We), e fotografia de Alexandre Zelinski

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