É possível evitar retrabalho nos projetos? 

 Pensando nesta pergunta, nós da On.We elaboramos dicas valiosas para auxiliar os arquitetos durante a concepção de seus projetos para evitar as “famosas” surpresas que acabam gerando retrabalho.

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Que Espessura de Parede devo usar em Obras de Estrutura em Concreto Armado?

Antes de falar da espessura, se deve falar de cobrimento. Mas o que é isto? 

É a espessura de  concreto que fica entre o aço e a borda da peça, enfim, no final do pilar, da viga. 

E o que isto vai influenciar na arquitetura??? Se você quiser que as vigas e pilares fiquem escondidas, evitando aqueles dentes na alvenaria, a espessura da parede vai ter que acompanhar as espessura do elemento estrutural conforme a região.

Portanto é necessário compatibilizar a dimensão do bloco cerâmico (tijolo) com a espessura do elemento estrutural (pilares e vigas).

Para isso você deve se atentar as dimensões padrões dos tijolos vendidas em sua região e que são normatizadas pela NBR 15270- Blocos 

Cerâmicos para alvenaria de vedação, que utilizam as seguintes larguras (9 /11,5 / 14 / 19 / 24)cm

Um bom exemplo é pensar na região litorânea, em que a classe de agressividade é Forte.  A seção mínima do elemento estrutural que se consegue passar é 15cm. Desta forma, se o reboco for 2,0cm para cada lado, vai ser necessário projetar uma parede com 19cm de espessura para esconder a estrutura. A largura aqui na tijolo deverá ser 14cm.

Fique Ligado!

 A famosa espessura de 15cm (tijolo de 11,5cm) para parede já não atende mais se o desejo for esconder a estrutura e evitar dentes na parede. Pensando na menor agressividade, deve-se partir no projeto com paredes de no mínimo 17cm. Quem define o cobrimento mínimo que deve ser utilizado é a nossa amiga NBR 6118 que relaciona este cobrimento a região que está a obra, conforme tabela 6.1 da norma (imagem 02)

Tabela 6.1 – Classes de agressividade ambiental (CAA)

Viga para Acabamento

 de Forro

Clássica dos retrabalhos é quando já na obra verifica que não dá para passar o forro sem a interferência de uma viga no meio do ambiente e dá-lhe partir para uma solução para esconder a viga, e minimizar a interferência. 

Mas como posso fazer para um forro interno ter acabamento no seu perímetro, para esconder as vigas internas?

Aqui mais uma vez o elemento estrutural vai atuar para o acabamento devendo o arquiteto indicar este desejo para evitar retrabalho. Veja no croqui nº 1 abaixo. 

Agora no croqui nº 2 verifica-se que as vigas externas são um pouco mais altas que a interna, pelo menos 5cm. Com isto o forro não é interrompido pela viga, e pode terminar, por exemplo, com um negativo no final.

Fique Ligado!

Se o pé direito for baixo, pode não ser possível aumentar a altura da viga para acabamento do forros, por causa da altura das esquadrias.

Quando a Viga Acaba

com sua Garagem

Você pensou com tanto carinho em todos os detalhes do projeto arquitetônico, cada detalhe de acesso a casa, os ambientes internos, e chegou na garagem pensou, tudo certo, a garagem pode ter um pé direito menor. O problema que você tinha um vão grande, pois o cliente queria uma garagem três carros um do lado do outro, sem pilares para atrapalhar. No entanto a viga foi dimensionada e invade o pé direito desejado. O cliente tentou entrar com a Camionete dele na garagem! E para surpresa dele e seu desespero. Não deu!

Fazer um pré-dimensionamento das estruturas com o engenheiro é fundamental para concepção do projeto arquitetônico e evitar retrabalhos no projeto e na obra.

Fique Ligado!

Cuide com o pé-direito baixo. Sempre lembre das possíveis interferências da estrutura.  

Modulação de Pilares

Para calcular uma estrutura é possível projetar sem ter uma modulação sugerida no projeto arquitetônico. Mas apresentar uma modulação de pilares ajuda a evitar futuras interferências na arquitetura e com isto, retrabalho.

O arquiteto manda uma modulação que seria a sua sugestão da localização destes elementos, passando assim ao projetista estrutural uma boa estimativa dos locais onde ele gostaria e principalmente onde não gostaria de encontrar estes pilares.

Como funciona?

O projetista trabalha em cima da sugestão do arquiteto

Caso seja necessário alguma alteração nesta modulação sugerida, é feito contato direto com arquiteto e discutido novas soluções.

Desta forma o arquiteto se garante em estar sempre por dentro da modulação real a ser enviada pra obra.

 Peça sempre para o engenheiro uma planta de pré-lançamento da estrutura, para já fazer a compatibilização com o arquitetônico antes mesmo da finalização do projeto estrutural. Se algo estiver interferindo, nesta fase é mais fácil de resolver.

Caixa D’água e o que mais?

Um ambiente nada popular nos projetos e de certa forma até esquecido é o tamanho do volume da caixa d’água. Mas podemos garantir pela nossa experiência que é um ambiente que sofre alteração na obra em praticamente todos os projetos e incomoda arquitetos, engenheiros e clientes com isso. Para que isso não aconteça, lembre de verificar os seguintes itens no projeto arquitetônico:

  • Volume a ser adotado para caixa d’agua
  • Se tiver sistema de água quente, tamanho do boiler ou aquecedor.
  • Se terá reservatório para reaproveitamento de águas pluviais e seu volume.
  • Se outros equipamentos como condicionadores de ar, ficarão no ambiente. 

Estas informações são vitais para o dimensionamento correto do tamanho do ambiente, evitando retrabalho.

Fique Ligado!

A altura (pé-direito) também é um item importante a considerar, prevendo futuras manutenções  e limpeza da caixa d’agua.

 Escada Problema 

 Retrabalho Parte 01

Escada Problema. É assim que batizamos as escadas que estão fora de norma ou que provavelmente vão ter problema de passagem na altura por causa da necessidade de uma viga. E não é raro acontecer…

A questão de estar fora de norma pega geralmente quando o projeto tem que ser aprovado no corpo de bombeiros, que geralmente acontece depois que o projeto arquitetônico já está finalizado. Desta forma, se tiver que fazer alterações, dará retrabalho para o arquiteto, bem como para outros profissionais envolvidos, se os projetos complementares já estiverem em andamento.

Verificando a NBR 9077 e também da NBR 9050, e olhando a hipótese mais restritiva cruzando as duas, as escadas podem seguir o seguinte padrão: Pisos: entre 28cm e 32cm Altura Degrau: entre 16cm e 18cm Sendo que, conforme fórmula de Blondel,  (2 x altura) + piso = tem que ficar entre 63 e 64

Fique Ligado!

 Salienta-se que o corpo de bombeiros de cada estado tem a vigência sobre este item, devendo-se respeitar as suas instruções normativas. O mesmo vale para plano diretor e código de obras de cada município, que também podem acabar sendo mais restritivos.

 Escada Problema

Retrabalho Parte 02

Outro ponto que dá retrabalho é a altura livre na escada.  Com relação ao cuidado com as alturas nas escadas, estamos falando sobre a possibilidade de alguém “bater” a cabeça, ou ficar com a sensação de que não vai conseguir passar por algum trecho devido a uma laje ou viga que pode “atrapalhar” esta passagem. Por isto, converse com o engenheiro que será responsável pelo cálculo estrutural, para já fazer um pré-dimensionamento, condicionando assim esta parte do projeto arquitetônico, evitando assim retrabalho.

“Arquiteto? As medidas

não estão batendo…”

Você já se deparou com esta situação? 

 Então você faz o projeto pro seu cliente e consegue aprovação do mesmo pelos órgãos responsáveis. Alvará de construção na mão, a equipe da obra inicia a locação e você recebe “aquela ligação”: “arquiteto, as medidas não estão batendo”. Infelizmente ela acontece inúmeras vezes e com vários profissionais. O problema é que em várias regiões do nosso país, o terreno em si, não bate com as características descritas na matrícula. E caso o profissional não tenha feito um levantamento topográfico antes de iniciar os projetos, pode sim se bater com este tipo de situação, onde por exemplo se, pode-se deixar de atender os recuos permitidos, ou ainda as medidas não atenderem as dimensões da casa. A dica aqui é simples. Não deixe de contratar um levantamento topográfico para verificação de medidas do terreno. Ela dará segurança para seu projeto. Ou pelo menos, meça as principais do lote, não confiando na matrícula, evitando assim futuras dores de cabeça.

Local do equipamento

de Ar-condicionado

Atualmente a maioria dos aparelhos de ar-condicionados tem uma unidade interna (evaporadora) e uma unidade externa (condensadora). Identifique no arquitetônico a localização das unidades internas e a altura desejada para instalação das mesmas. Com esta informação o engenheiro pode visualizar se existe alguma interferência devido à passagem de vigas no local. O local das unidades externas também não deve ser esquecido, podendo ser uma área técnica(por exemplo, um ambiente só para estes) ou até mesmo uma parede específica.

Fique Ligado!

O local das unidades internas determina a posição do dreno, que se esquecido pode ser uma baita dor de cabeça para o cliente e para você!   Confira no projeto hidrossanitário se os drenos foram projetados.

Áreas Técnicas 

Externas a Edificação

Muitos esquecem de “pensar” no projeto arquitetônico locais como centrais de gás, lixeiras, local para os medidores de energia e água potável.

Estas definições são importantes, pois em muitos casos é exigido para aprovação de órgãos competentes.

E é aqui que mora o perigo. Se não tiver locado no arquitetônico, abre precedente para que o dimensionamento e a escolha destes locais sejam feita pelos projetistas responsáveis pelos complementares, correndo risco de influenciar negativamente na arquitetura, como numa fachada por exemplo. E mais retrabalho para você.

Fique Ligado!

Outro problema desta falta de definição, é que se o projetista estrutural não tiver ciência destes locais, não vai considerar estes itens nos cálculos, deixando o projeto estrutural incompleto para a execução da obra.

Localização dos schafts

(muchetas)

Os schafts servem para passagem (prumada) de tubulações da rede hidrossanitária, alimentações de energia elétrica, alimentação sistemas de telefonia e comunicação, tubulações de gás, hidrantes, etc.

Sim, serve para esconder todas estas tubulações e impedir que passem no meio de elementos estruturais.

Definir seu local no arquitetônico evita a locação de pilares e vigas nestes locais, além de representar fielmente a dimensão que terá o ambiente projetado, sem gerar futura dor de cabeça com questionamentos de seu cliente.

Fique Ligado!

Converse com o engenheiro que fará os projetos complementares, afim de pré-lançar as prumadas, e já condicionar o arquitetônico com a posição de schafts, evitando assim retrabalho.

Nível de todos os

ambientes

A indicação de nível em todos os ambientes resolve futuros incômodos na obra, como por exemplo, ter que “encher” um pavimento com contrapiso bem mais alto do que o normal para adequar os desníveis que se viram necessários.

Se esta informação estiver presente na fase do projeto estrutural, já fica previsto o rebaixamento de vigas e lajes afim de evitar que a etapa do contrapiso tenha que ser executada em mais tempo e mais custos.

Fique Ligado!

Não indique nível apenas num ambiente do pavimento. Coloque nível em cada ambiente. Lembre-se de indicar os níveis das sacadas e box do banheiro.

Quadros de Disjuntores

Esta informação colocada em planta evita esta escolha pelo projetista responsável, e evita que seja locado itens da estrutura no local (como pilares), além de resolver problemas de ordem estética que este quadro dentro do ambiente pode gerar, gerando retrabalho para resolver esta interferência.

Fique Ligado!

Procure locar o quadro de disjuntores o mais próximo do centro da edificação. Isto auxilia na distribuição de fios e cabos, diminuindo os custos desta etapa.

Uma história sobre a

Sondagem e o retrabalho para um arquiteto

Era uma vez um arquiteto chamado Pedro, e seu cliente João.

Pedro, fechou um projeto importante para seu escritório, e ficou feliz da vida, porque a obra seria na avenida principal da sua cidade e traria boas referencias.

A obra seria uma edificação mista de pequeno porte, onde no térreo teriam lojas comerciais, e no segundo e terceiro pavimento seriam colocados aptos residenciais. Mas Pedro tinha um problema! Onde colocar as vagas de garagem exigidas pelo código municipal?

Para não perder as lojas comerciais no térreo que trariam um bom retorno financeiro pro seu cliente, Pedro resolveu fazer a garagem no subsolo.

Cliente aprovou, prefeitura aprovou, projetos complementares finalizados, Pedro que também fechou o acompanhamento da obra, inicia as escavações pra fazer as fundações. E ai, o que era um sonho pro arquiteto, vira um filme de terror. Com 1,5m de escavação o terreno virava uma piscina.

A altura do lençol freático ficava a 1,00m abaixo do nível do solo, e esta situação inviabilizou executar o subsolo, pois as soluções necessárias ficavam muito caras para o cliente.

E tudo isto aconteceu com a obra andando. E acabou gerando mais custos com mão e obra que ficou parada.

Se a sondagem tivesse sido feita o problema já teria aparecido, e a solução que inicialmente parecia mágica em executar o subsolo já teria sido descartada de primeira pelo arquiteto (em conversa com seus cliente em cima de custos)

Pedro até sugeriu ao seu cliente fazer a sondagem no início do projeto, mas o cliente não quis, dizendo ser um custo desnecessário, e o arquiteto com medo de estragar seu relacionamento com cliente, não insistiu.

No final o projeto teria que ser alterado. Com isto o cliente acabou desistindo da obra para apenas vender o terreno.

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